sexta-feira, 9 de março de 2012

SALA DE ESTAR



por Jailson Freire



Não é um lugar aonde qualquer um pode estar. É um lugar muito especial e íntimo, portanto, só os mais chegados são convidados para estar neste lugar.



Só os que têm maior intimidade podem entrar e sentar na melhor poltrona que é colocada a fim de que os amigos possam estar confortavelmente.



É na sala de estar que a melhor decoração é colocada. É lá que precisa ser mais acolhedor e aconchegante. É o lugar aonde as melhores conversas são conversadas. É aonde se conta sobre a vida e as aventuras na estrada...



É na sala de estar que, somente um verdadeiro amigo deve estar. Que um familiar deve permanecer em conversa íntima. É aonde os casos e descasos são contados; um lugar de desabafos. É o lugar mais adequado para uma boa anedota ser contada, além daqueles "causos engraçados".

É na sala de estar que as crianças gostam de brincar; aonde os pais abraçadinhos devem namorar. Um ótimo lugar para assistir um belo filme.



A sala de estar foi preparada e concebida para isso e muito mais. É o lugar onde assistimos o vídeo da família em que a bela moça e agora rapaz, sentados ao nosso lado não se parecem mais com as crianças que no vídeo assistimos correr.



Mas de vez enquanto, permitimos que esse lugar que deveria ser um santuário familiar seja invadido por quem jamais deveria ali estar.



Um desentendimento no trânsito, uma briga no trabalho, um parente que mais parece um estranho ou um estranho que mais parece um parente, de repente invade a sala de estar da sua mente. Se instala e sorri debochadamente para a gente.



Além disso não se contenta em ser apenas invasor e se instala como se por muito tempo ali pretenda ficar. Nos segue por todo interior de nossos pensamentos. Insiste em entrar no seu banho, mexer em suas coisas na cozinha e não respeita nem mesmo o seu sono.



Quer a todo custo dormir na cama em que você estar. Levanta com você e escova os dentes junto com você. É um invasor tão abusado que chega ao cúmulo de querer estar no boxe disputando o seu chuveiro quentinho de em uma manhã de inverno.



Você quer a todo custo expulsá-lo de sua sala de estar, da sua cozinha, banheiro e quarto existencial, mas não sabe como isso deva ser feito. É uma situação bisonha e constrangedora demais para ser resolvido na base do tanto faz.



Não dá para fingir não estar ali. Não dá para ignorar. É inconveniente demais para ser ignorado. É uma caso que precisa ser solucionado.



Esses fantasmas são expulsos com uma simples decisão; uma difícil, mas simples decisão. Esses fantasmas não resistem a um não. A um: “não vou mais alimentar você!”. A um: “Não vou mais ignorar você!”. A um: “Não vou mais deixar de perdoar você!”. Eles fogem ao observar esse tipo de atitude. Eles não suportam tamanha altitude. Eles vão embora e deixam apenas o sentimento de paz interior no interior da sala de estar.



"E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus." (Filipenses 4 : 7)

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